NUNES, Feliciano Joaquim de Sousa. 1730-1808.

Sobre o autor

Feliciano Joaquim de Souza Nunes nasceu no Rio de Janeiro, em 1730, e aí morreu por volta de 1808. Foi almoxarife dos armazéns do Rio de Janeiro e promotor da Academia dos Seletos, que resultou na obra Júbilos da América.

Obra(s)

Discursos Politico-Moraes, comprovados com vasta erudição das Divinas, e humanas Letras, a fim de desterrar do mundo os vicios mais inveterados, introduzidos, e dissimulados, Primeiro Tomo dedicado ao ill.mo e exc.mo Senhor Sebastião José de Carvalho e Mello, Do Conselho de S. Magestade, e Secretario de Estado dos negocios do Reino. &c. &c. por seu author Feliciano Joaquim de Sousa Nunes, Natural da Cidade do Rio de Ja-neiro. Lisboa: Na Officina de Miguel Manescal da Costa Impressor do Santo Officio, 1758.

Menções ao negro e ao escravo

Se o pai de famílias deixa aos filhos pobres, e sem estado algum, escravos os constitui do irmão mais velho, ou vendidos os deixa ao testamenteiro simulado; e se lhes deixa riquezas, para se dividirem entre eles depois da morte, delas faz o tirano instrumento com que um ou outro há de ser o verdugo das vidas de seus amados filhos. E assim não pode haver algum discurso prudente, que deixe de estorvar naqueles o delito, e nestes a crueldade. (p. 140)

Já solícitos e vigilantes nos inventários dos bens que lhes ficaram de seus pais; já cuidadosos e incansáveis nas suas administrações; e finalmente sempre prontos para o receberem e gozarem; porém nunca deliberados para os entregarem e restituírem; nem ainda da forma que praticarem aqueles dois célebres irmãos, que para se mostrarem inteiros, quebraram um vidro e partiram um vestido, que de seus pais lhes ficara, para que cada um levasse a sua parte, vindo ambos a ficar sem nada, porque para nada servia o que levavam ambos; pois tem chegado a tanto a ignorância de tais irmãos maiores, que parece se chegam a capacitar que, assim como os bens do escravo pertencem a seu senhor, por igual título é propriamente dos maiores ou mais velhos o que aos menores ou mais moços pertence. (p. 222)

Páginas

140, 222.