MATOS, Francisco de. 1636-1720.

Sobre o autor

O jesuíta Francisco de Matos nasceu na cidade de Lisboa, em 1636, e morreu na Bahia, em 1720. Entrou para a Companhia de Jesus muito cedo e, em 1652, desembarcou no Brasil e iniciou seus estudos no colégio jesuíta da Bahia, onde, posteriormente, lecionou filosofia e teologia. Em 1674, embarcou para Lisboa e lá se estabeleceu por quase duas décadas. De volta ao Brasil, foi reitor dos colégios jesuítas da Bahia e do Rio de Janeiro, Provincial, Mestre de Noviços, Examinador do Sínodo da Bahia e, por fim, Padre Espiritual do colégio da Bahia.

Obra(s)

1. Vida Chronologica de S. Ignacio de Loyola, Fundador da Companhia de Jesus, oferecida ao illustrissimo senhor Arcebispo da Bahia Dom Sebastião Monteyro da Vide pelo Padre Francisco de Mattos, da mesma Companhia, & Provincia do Brasil. Lisboa Occidental: Na Officina Pascoal da Sylva, Impressor de Sua Magestade, 1718.

2. Dor sem lenitivos dividida Em seis discursos concionatorios, que por Exequias Para honras funeraes da augustissima rainha senhora nossa D. Maria Sofia Isabel, &c. Offerece ao seu real tumulo O P. Francisco de Mattos da Companhia de Jesus, Reytor do Collegio da Bahia. Lisboa: Officina de Valentim da Costa Deslandes, 1703.

3. Palavra de Deos desatada em discursos concionatorios de Doutrinas Evangelicas, Moraes, & Politicas. Primeira Parte oferecida ao glorio Apostolo do Oriente S. Francisco Xavier por seu Author O P. Francisco de Mattos, da Companhia de Jesus, Mestre dos Noviços no Collegio da Bahia. Lisboa: Por Valentim da Costa Deslandes, Impressor de Sua Magestade, M. DCCIX.

* "Palavra de Deos desatada em discursos concionatorios de Doutrinas Evangelicas" compõe-se de discursos e doutrinas evangélicas organizados por letras. Na letra C, encontramos a palavra “Castigos”, onde há muitas referências aos escravos. (pp. 158-170)

Menções ao negro e ao escravo

1.

E no fim da dança lhe disseram que se aqueles padres entrassem na cidade, perderia ele todo o fruto do seu zeloso intento, e desapareceram. Não parando aqui, nem o cônego com a sua teima, nem Deus em lhe dar o castigo; outra vez lhe apareceram os demônios figurados em dois negros perros, que com o pesado trato que lhe deram o chegaram as portas da morte. (p. 264)

2.

Nem se diga contra a consideração da prudentíssima rainha, que no contrato dos escravos, não é o mesmo gananciar com o trabalho dos seus corpos, que com a sujeição das suas almas. (p. 326)

O contrato oferecido a sereníssima rainha, ainda que não foi tentação do demônio, para os escravos perderem os bens espirituais da alma; foi tentação do mundo, para que lhe sujeitasse as forças temporais da alma na venda do corpo. (p. 328)

Sabemos nós que, se lhe oferecessem algum contrato em que os escravos livrando do cativeiro dos corpos, livrassem também por meio do batismo, de outra maior sujeição das almas, abraçaria sem dúvida este contrato [...] (p. 329)

E quando o despido pede a vestidura, vó a pedis e nós a damos: cooperuistis me. Isto vinha a dizer a muito judiciosa rainha, rebatendo a tentação do mundo na negociação dos escravos. (p. 331)

3.

Porém se acaso eles hoje padecem pelo ódio que tiveram aos seus escravos, e Deus não condenou aos escravos pelo ódio que tivessem a seus senhores; os compreendidos na sentença de não se poder servir no mesmo tempo a dois senhores, foram eles, e nós não. (p. 165)

Esta é a resposta dos escravos: suponhamos já feita a mesma pergunta aos senhores, e atentamos a sua resposta. (pp. 165-166)

Os nossos escravos tinham um cativeiro passivo porque eram os pacientes do cativeiro que neles dávamos: nós os senhores do domínio, e eles os escravos do mando. (p. 166)

Páginas

Obra 1: 264.
Obra 2: 326, 328, 329, 33.
Obra 3: 165,166.