DEUS, Manuel da Madre de. 1724-?

Sobre o autor

Frei Manuel da Madre de Deus nasceu na Bahia, em 1724, e morreu em data e local desconhecidos. Professo no convento de Santo Antônio da Vila de Igarassu, em Pernambuco, a 5 de maio de 1745, cedo padeceu de grave moléstia, que não lhe permitiu dar prosseguimento aos seus estudos. Adotou o pseudônimo de Sotério da Silva Ribeiro na sua relação de festa intitulada Summa Triunfal (1753).

Obra(s)

Summa Triunfal da nova, e grande celebridade do Glorioso, e invicto Martyr S. Gonçalo Garcia: Dedicada, e oferecida ao Senhor Capitão Joze Rabello de Vasconcellos, por seu autor Soterio da Sylva Ribeiro: Com huma Colleção de vários solgedos, e danças, Oração Panegirica, que recitou o Doutissimo, e Reverendissimo Padre Fr. Antonio de Santa Maria Jaboatam, Religioso Capucho da Provincia de Santo Antonio do Brazil, Na Igreja dos Pardos da Senhora do Livramento, Em Pernambuco no primeiro de Mayo do anno de 1745. Lisboa: Na Officina de Pedro Ferreira, 1753.

Menções ao negro e ao escravo

Se assim como aconteceu isto seis anos atrás, viesse neste tempo; nem o orador tivera tanto trabalho em revolver livros esquisitos, e aparar notícias antigas; nem os duvidosos tanta ocasião para a censura; pois com as novas conquistas da Índia aos que dela tem notícia e leem as relações impressas, acharão que todos aqueles povos são nelas tratados por negros. Negro se chama muitas vezes nesses poéticos discursos da Índia o Monsoló e negros são também os Maratas, que hoje ocupam e senhoreiam a cidade de Baçaim, pátria do Beato Gonçalo Garcia: estes negros inda que reproduzidos, não são novamente produzidos ali, nem vieram para a Índia das partes da África, nem ´´e força que para ser um pardo haja algum de seus pais de ser nacional de África, antes basta que seja de negro a cidade ao meu ver; que podem mais acrescentar os duvidosos? (p. 5)

Rodava de quatro por quem tiravam oito homens negros vestidos de fraldões de damasco guarnecidos de rendas: camisas presas nos buchos dos braços: nas cabeças gorras encarnadas e franjas de ouro. (p. 37)

Páginas

5, 37.