ACIOLI, José de Sá Betencourt e. 1752-1828

Sobre o autor

José de Sá Betencourt e Acioli nasceu em Caeté, Minas Gerais, em 1752, e morreu na mesma localidade em 1828. Formado em ciências naturais, Acioli, depois de amargar 3 anos de prisão por conta de seu envolvimento com a Inconfidência Mineira, escapou do degredo e deu seguimento às suas atividades científicas, participando, a serviço do governo, de diversas expedições minerológicas na Bahia.

Obra(s)

Memória sobre a viagem do terreno nitroso. Offerecida Ao Illm. e Exm. Sr. D. Rodrigo de Sousa Continho, do Conselho d’Estado, Ministro e Secretario d’Estado dos Negocios da Marinha, e Dominios Ultramarinos; por José de Sá Bitancourt Accioly, Bacharel em Philosofia, Socio da Real Academia

Menções ao negro e ao escravo

Por toda a encosta da serra desde os Montes Altos, até as Tabocas, se encontra uma mataria continuada, que abunda de muita lenha e madeiras de construção, tais são os amargos paus pretos, paus de arco, cedros, tamboris, aroeiras &c havendo igualmente muita pedra de cal por toda a planície, de que se observam aqui e ali vários servos espalhados no plano das catingas que ficam entre a serra dos Montes Altos e das Emburanas, que é a mesma que segue ao largo do Rio de S. Francisco para vila de Urubu, passando-lhe mais de dezesseis léguas desviadas pelas cabeceiras do riacho de Santo Onofre, que abunda e muita pedra hume: a serra da malhada, que fica sobranceira ao dito rio. Destas serras tenho alguma notícia comunicada pelos habitantes, que todas as vezes que fazem Lapas, contém salitre, o que não observei por me ficarem fora do giro da minha viagem, e não querer retardar as notícias e observação dos mais lugares que me restava fazer, o que em outro qualquer tempo se pode executar depois de estabelecida a fabrica neste lugar, havendo homens hábeis, que bem o possam executar ainda que eu encarreguei esta observação a Manoel Ribeiro de Vasconcelos, sujeito inteligente, que assistiu comigo em todos os exames, e é um dos homens brancos, que há no lugar dos Montes Altos, que contém unicamente doze fogos de muito pobre gente, morando desviados alguns, que são senhores das fazendas vizinhas do dito lugar, cujo terreno foi doado a virgem Madre de Deus, pelo primeiro que a povoou, e passa hoje debaixo do título de encapelamento, que consiste em doze léguas de terra despovoada, mil cabeças de gado, nove cavalos, e um negro vaqueiro, de que é administrador José Pereira da Silva, homem pardo, com a pensão única de pagar seis mil e duzentos e cinquenta para os paramentos da capela, tendo a mais parentalha deste faculdade de morarem, criarem e cultivarem os lugares da sua residência, sendo o sobredito terreno muito necessário para a administração, comodidade do serviço, caso a vista dos exames, que remeto haja Sua Majestade por bem levantar fábrica, como também todo o mais terreno que acompanha a serra, que é dominado com diferentes possuidores, não sei com que direito. (p. 103)

Cada serviço destes deve ter fábrica suficiente, e adminiculos próprios para a extração e gente que se possa empregar na lavoura para sustentação dos empregados, para o que é muito próprio o terreno, e a razão de se empregar alguma parte dos escravos na lavoura é por ser o país presentemente pouco cultivado e não haver abundância de mantimentos, reservando S. Majestade os dízimos de todo o terreno que pertencer a regência do lugar para sustentação e vestuário dos trabalhadores, porque se os gados por exemplo, do ramo grande do Rio de S. Francisco fazem conta ao comprador que negocia com o arrematante para lucrar, muito melhor fará a administração o tê-los antes pelo diminuto preço de dez tostões por cabeça, do que pelo quadrúplo; o dízimo das miunças para a sustentação, e dos algodões para o vestuário, ficando a S. Magestade esta despesa muito moderada, vendendo-se por conta da extração o que sobrar. (pp. 107-108)

Páginas

103, 107, 108.